Declaração do Bureau Executivo da Quarta Internacional, 3 de janeiro de 2026.
Declaração da IV Internacional sobre as recentes agressões imperialistas contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro
O governo de Donald Trump realizou um ataque aéreo militar contra alvos específicos em território venezuelano, ou seja, ataques com bombas a edifícios oficiais e bases militares do país. O evento, inédito no continente há mais de três décadas, constitui uma violação flagrante da soberania venezuelana, da América Latina como um todo e dos princípios mais elementares do direito internacional.
Durante as primeiras horas da madrugada de sábado, 3 de janeiro, bombardeios e explosões em Caracas e em outros dois estados da Venezuela serviram como cortina de fumaça para prender e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, como o próprio Trump confessou em sua conta na rede Truth Social. Ainda não foi comprovado o destino do presidente, muito menos se houve colaboração interna e quais desses setores poderiam ter colaborado para conseguir a captura de Maduro.
A indefinição sobre o futuro do país torna mais urgente do que nunca que todas as forças progressistas, democráticas, socialistas e revolucionárias lancem um movimento internacional contra a agressão imperialista e pelo direito do povo venezuelano de decidir sobre seu destino de forma autônoma e soberana.
Independentemente da opinião ou posição sobre o regime do presidente aparentemente deposto, a intervenção imperialista não é uma saída para o sofrido povo da Venezuela, os povos da América Latina e qualquer outro oprimido pelo imperialismo em todo o mundo. Essa intervenção sempre foi e continua sendo contrária aos seus interesses. Ela só pode levar à morte, à opressão e à injustiça.
A campanha mundial necessária deve incluir mobilizações e concentrações em frente às embaixadas americanas em cada país, como uma demonstração da unidade dos povos contra as agressões imperialistas como a atual.
A IV Internacional se solidariza com o povo e a classe trabalhadora venezuelana e exige a retirada imediata do destacamento militar que, nos últimos meses, mantém uma imensa força militar dos EUA no Caribe. Exigimos a libertação de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Adela Flores – cabe exclusivamente ao povo venezuelano eleger e destituir seus governos.
Exigimos o fim da agressão militar e o respeito à soberania territorial e política da Venezuela e de toda a América Latina!
3 de janeiro de 2026